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Publicado em 15/12/2025
Estrutura Social Brasileira: Classe, Raça e Sexo nas Metrópoles após Quatro Décadas de Transformações
Publicado em 15/12/2025
CATEGORIAS: Boletim IPPUR, Destaques, Notícia PPGPUR, Notícias IPPUR, Slideshow PPGPUR
Boletim nº 92, 15 de dezembro de 2025
Marcelo Gomes Ribeiro
Professor do IPPUR e coordenador do Observatório das Metrópoles Núcleo Rio de Janeiro
Paula Guedes Martins Ferreira
Mestre em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR e pesquisadora bolsista do Observatório das Metrópoles Núcleo Rio de Janeiro
Bianca Borges da Silva Leandro
Doutoranda do PPGPUR
Introdução: As Desigualdades Persistentes
A sociedade brasileira passou por profundas transformações nas últimas quatro décadas. A economia se reestruturou, as cidades se expandiram, as famílias mudaram de formato, as mulheres conquistaram espaço no mercado de trabalho e o acesso à educação se ampliou significativamente. Diante de tantas mudanças, uma pergunta crucial se impõe: o Brasil se tornou um país menos desigual?
A pesquisa do professor do IPPUR Marcelo Gomes Ribeiro e das doutorandas do IPPUR Paula Guedes Martins Ferreira e Bianca Borges da Silva Leandro, publicada na revista Dados, busca justamente contribuir para esta resposta. O artigo “Interseccionalidade da Estrutura Social das Metrópoles Brasileiras: Mudanças e Permanências em Quatro Décadas” demonstra que, apesar dos avanços inegáveis, raça e gênero continuam sendo fatores decisivos para definir quem ocupa o topo e quem permanece na base da pirâmide social nas principais metrópoles do país.
A partir da perspectiva interseccional, analisando de forma integrada como as dimensões de classe, raça e gênero podem operar mantendo estruturas de opressão, os pesquisadores do INCT Observatório das Metrópoles mapearam as mudanças da estrutura social entre 1982 e 2022 nas principais metrópoles brasileiras. Eles revelam um cenário de mudanças importantes, mas marcado por uma forte inércia das desigualdades históricas. O estudo busca ir além das estatísticas e compreender os processos econômicos, demográficos e sociais que moldaram essas trajetórias e destaca a importância dos movimentos sociais na luta por maior equidade.
1. Perspectiva Teórica: Espaço Social e Interseccionalidade
Para entender a estrutura social de forma dinâmica e relacional, os autores se baseiam no conceito de “espaço social” desenvolvido pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. Imagine a sociedade como um grande campo de forças, onde cada indivíduo ou grupo ocupa uma posição específica. Essa posição não é definida por um único fator, mas por uma combinação de diferentes tipos de “capital”: econômico (renda e riqueza), cultural (escolaridade e conhecimentos), social (redes de relacionamento) e político (influência e poder). A distância entre essas posições no espaço social reflete e produz as desigualdades e opressões.
Aproximando-se dessa estrutura de classes, o estudo utiliza a estrutura socio-ocupacional desenvolvida pelo Observatório das Metrópoles. Ela agrupa as ocupações em categorias que refletem proximidades ou distâncias no espaço social, organizadas em classes e frações de classe, da “Classe Dirigente” ao “Subproletariado” (conforme detalhado no Quadro 1 do artigo). A ocupação é usada como um indicador que se aproxima da posição social dos indivíduos.
No entanto, os autores argumentam que uma análise apenas de classe é insuficiente para captar a complexidade das desigualdades brasileiras. É aqui que entra a segunda perspectiva teórica utilizada: a da interseccionalidade. Cunhada pela jurista norte-americana Kimberlé Crenshaw nos anos 1980, a interseccionalidade é uma abordagem que investiga como diferentes formas de opressão (como racismo, sexismo e classismo) não se somam simplesmente, mas se interligam e se potencializam, criando experiências únicas de privilégio e desvantagem.
Por exemplo, a experiência de uma mulher negra no mercado de trabalho não é simplesmente a experiência de um homem negro somada à experiência de uma mulher branca. Ela sofre com o machismo e o racismo de forma simultânea e combinada, o que gera uma situação específica de subalternidade. A interseccionalidade, portanto, permite “visibilizar articulações entre múltiplos eixos de poder”, como destacam Collins e Bilge (2021), citados no artigo. Essa abordagem também destaca que as dimensões que operam sistemas de opressão devem ser historicamente analisadas, pois, como são dinâmicas, não há uma hierarquia previamente determinada, ora a questão racial pode ser mais expressiva, em outros momentos, a de gênero ou a de classe.
Ao cruzar a estrutura de classes (sócio-ocupacional) com as variáveis de sexo (homem e mulher) e raça (branco e negro, sendo “negro” a junção de pretos e pardos), os autores realizam uma análise interseccional em escala temporal. Eles não analisam cada dimensão separadamente, mas sim as combinações: homem branco, mulher branca, homem negro e mulher negra em cada posição da estrutura social. Isso permite identificar com maior clareza quais grupos mais avançaram e quais permaneceram em situação de desvantagem ao longo de 40 anos.
2. O Cenário de Transformações: O Brasil entre 1982 e 2022
O período analisado pelo estudo foi marcado por muitas mudanças que afetaram diretamente o mercado de trabalho e a estrutura social. Os autores contextualizam sua análise destacando algumas das principais transformações:
- Econômicas: O país viveu um processo de desindustrialização e de desconcentração produtiva das metrópoles, com indústrias migrando para cidades menores. Paralelamente, houve uma enorme expansão e diversificação do setor de serviços, que se tornou o grande empregador da economia, abrangendo desde serviços de alta tecnologia até ocupações precárias e informais.
- Demográficas e Familiares: A taxa de fecundidade caiu drasticamente, reduzindo o tamanho das famílias. Essa transformação demográfica, associada a mudanças culturais, permitiu que um número significativo de mulheres ingressasse no mercado de trabalho. Arranjos familiares monoparentais, chefiados por mulheres, tornaram-se mais comuns.
- Educacionais: Houve uma notável expansão educacional, inclusive do ensino superior, tanto público quanto privado. Políticas de ação afirmativa, como a Lei de Cotas (nº 12.771/2012), foram fundamentais para ampliar o acesso da população negra à universidade, elevando o nível de escolaridade geral da população ocupada.
- Sociais e Políticas: Os movimentos sociais, especialmente o movimento feminista e o movimento negro, ganharam força e visibilidade. Eles não só lutaram por políticas públicas como também promoveram uma maior conscientização social sobre as questões de gênero e raça. Um reflexo disso, argumentam os autores, é a mudança na autodeclaração racial nas pesquisas, com mais pessoas se identificando como negras (pardas e pretas).
Essas transformações criaram um terreno propício para potenciais mudanças na estrutura social. O estudo investiga se e como essas mudanças de fato se materializaram em maior mobilidade e redução de desigualdades.
3. Metodologia: Como a Pesquisa Foi Conduzida
O estudo adota uma metodologia comparativa, utilizando dados de duas fontes principais do IBGE: a PNAD 1982 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e a PNAD Contínua 2022 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). A análise focou nas nove principais regiões metropolitanas institucionalizadas na década de 1970 (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba e Belém), além de Brasília (Distrito Federal). A escolha por este conjunto garante a comparabilidade ao longo do tempo.
As variáveis-chave foram:
- Classe: Operacionalizada por meio da Estrutura Sócio-ocupacional do Observatório das Metrópoles, que agrupa ocupações em classes e frações de classe.
- Sexo: Homem ou Mulher (os autores reconhecem que a dimensão de gênero é mais ampla, mas utilizam a variável disponível nas pesquisas).
- Raça: Brancos (incluindo pessoas de origem asiática) e negros (agregação de pretos e pardos). A categoria indígena não foi incluída porque ela não era registrada na PNAD 1982.
A combinação dessas variáveis criou os quatro grupos interseccionais de análise: Homem Branco (HB), Mulher Branca (MB), Homem Negro (HN) e Mulher Negra (MN). A análise foi feita de duas formas principais: Participação relativa, em que se analisou a percentagem de cada grupo (ex.: HN) dentro de cada categoria ocupacional, e densidade relativa, um indicador mais sofisticado que compara a representatividade de um grupo numa categoria específica com a sua representatividade no total da população ocupada. Um valor acima de 1 indica super-representação; abaixo de 1, sub-representação. Este indicador é crucial para evitar distorções causadas pelo crescimento populacional diferencial dos grupos.
4. Análise dos Resultados: O que mudou (e o que não mudou) em 40 anos
4.1. O Mercado de Trabalho em Transformação: Um Retrato Geral
A primeira constatação é o crescimento da população ocupada nas dez metrópoles analisadas, que mais do que duplicou, saltando de 14,3 milhões em 1982 para 31,3 milhões em 2022. A composição desse mercado, contudo, mudou radicalmente em termos de raça e gênero.
Em 1982, a grande maioria era de homens brancos (41,3%). Mulheres brancas e homens negros tinham a mesma participação (22,5% cada), enquanto as mulheres negras eram o grupo menos representado (13,7%). Quarenta anos depois, o cenário se inverteu: os homens negros tornaram-se o grupo mais numeroso (29,6%), seguidos por homens brancos (25,3%), enquanto mulheres brancas e mulheres negras passaram a ter a mesma participação (22,5% cada). Este dado já sinaliza uma profunda reconfiguração racial e de gênero na força de trabalho metropolitana.
4.2. A Reconfiguração da Estrutura de Classes
A própria estrutura de classes passou por significativas mudanças internas. As frações de classe que mais cresceram em participação relativa foram o Proletariado dos Serviços (de 17,4% para 26,8%), tornando-se a maior fração, a Classe Média-Baixa (de 18,4% para 19,6%), a Classe Média-Média (de 10,8% para 13,8%) e, de forma mais expressiva, a Classe Média-Alta (de 2,9% para 8,8%).
Por outro lado, houve uma forte contração do Proletariado da Indústria (de 18,1% para 8,0%), reflexo direto da desindustrialização. O Subproletariado, a Classe Dirigente, o Proletariado da Construção Civil e os Trabalhadores Rurais também tiveram redução de sua participação relativa. Este movimento confirma a transição de uma economia mais industrial para uma economia centrada em serviços, com um crescimento das posições médias e de alta qualificação, mas também uma enorme expansão dos serviços de baixa remuneração.
4.3. A Análise Interseccional: Avanços e Permanências
Ao olharmos para dentro dessas frações de classe, através da lente interseccional, as dinâmicas das desigualdades se tornam mais claras.
No topo da pirâmide, o que se registra é uma abertura relativa, mas com a permanência do domínio branco:
- Classe Dirigente e Classe Média-Alta: Em 1982, estas posições eram um território quase exclusivo dos homens brancos. Por exemplo, na Classe Dirigente, a participação dos HB era mais do que o triplo da participação conjunta de MB, HN e MN.
- Em 2022, houve uma abertura: mulheres brancas foram o grupo que mais cresceu nestas posições de elite, chegando a superar os homens brancos em categorias como Profissionais da Gestão e dos Negócios. Homens e mulheres negros também aumentaram sua participação, mas de forma muito mais tímida e permanecem bastante sub-representados.
- A conclusão é crucial: o topo da estrutura social tornou-se menos dominado por homens, mas a hierarquia racial permaneceu praticamente intocada. A cor da pele continua a ser um filtro poderoso para o acesso às posições de maior poder e prestígio social. A abertura do mercado beneficiou principalmente mulheres brancas.
No meio da estrutura, se registrou o crescimento da participação feminina, mas com a manutenção da dinâmica de separação das ocupações por gênero:
- Classes Média-Média e Média-Baixa: Estas frações viram uma significativa ampliação da presença feminina. No entanto, essa incorporação não foi neutra. Ela ocorreu principalmente em categorias “tipicamente femininas” e socialmente construídas como extensões do trabalho reprodutivo, como Profissionais dos Serviços Pessoais ou Sociais e Técnicos e Agentes da Saúde.
- Para as mulheres negras, a conquista de espaço na classe média-baixa foi um avanço importante, mas elas continuam super-representadas nas mesmas ocupações historicamente femininas e de cuidado. Os homens negros avançaram principalmente em categorias tipicamente masculinas dentro dessa classe, como Técnicos em Processos Produtivos.
- Ou seja, a mobilidade para as classes intermediárias frequentemente ocorreu dentro de nichos de gênero e raça, reproduzindo estereótipos e não representando uma quebra completa das barreiras discriminatórias.
Na base da pirâmide, nas ocupações em geral mais precárias, se registrou um aumento da participação de pessoas negras, devido a seu aumento na composição geral do mercado de trabalho:
- Proletariado dos Serviços: Esta fração, que mais cresceu, tornou-se mais negra e mais feminina. Homens negros dominam categorias como transporte e vigilância, enquanto mulheres negras são super-representadas em serviços de cuidado, beleza pessoal, alimentação e comércio. Foi a principal porta de entrada no mercado de trabalho para a população negra, contudo majoritariamente em ocupações precárias e de baixa remuneração.
- Proletariado da Indústria e da produção do ambiente construído: São frações que permanecem majoritariamente masculinas e, agora, predominantemente negras. Com a redução geral de vagas na indústria, os homens brancos saíram de forma mais acentuada, o que fez com que essas posições remanescentes tivessem maior presença de homens negros.
- Subproletariado (trabalhadores domésticos, de entrega, de limpeza e ambulantes): Tradicionalmente um espaço de mulheres, esta fração também se tornou majoritariamente negra. A categoria de Trabalhadores Domésticos é o exemplo mais gritante: em 1982, a densidade relativa das mulheres negras era 4 (ou seja, eram 4 vezes mais representadas nessa ocupação do que na população ocupada em geral). Em 2022, essa densidade caiu para 2,9, mas ainda assim evidencia uma super-representação extrema em uma ocupação historicamente desvalorizada.
4.4. A Análise por Densidade Relativa: A Inércia das Desigualdades em Destaque
A análise da densidade relativa consegue captar a inércia social e a resistência à mudança na distribuição dos grupos sociais.
- Homens Brancos: Mesmo tendo sua participação geral caído de 41,3% para 25,3%, continuam fortemente super-representados nas posições de topo (Grandes Empregadores, Profissionais da Engenharia, Tecnologia da Informação). A perda de espaço foi relativa, não absoluta, e sua dominância nas posições de elite segue inconteste.
- Mulheres Brancas: Este foi o grupo que mais claramente passou por transformações. Em 1982, suas ocupações de maior densidade estavam nas classes intermediárias e populares (trabalho doméstico, serviços pessoais). Em 2022, “migraram” para as posições de alta qualificação (Medicina, Gestão e Negócios e outras), mostrando uma trajetória ascendente.
- Homens Negros: Para este grupo, a mudança foi pequena. Suas ocupações de maior densidade relativa em 1982 e 2022 são praticamente as mesmas: construção civil, serviços de entrega, reparo, vigilância e transporte. Ou seja, em sua grande maioria, permanecem restritos a posições socialmente desvalorizadas e tipicamente masculinas.
- Mulheres Negras: É o grupo que apresenta a maior persistência de sua posição social. Apesar de um aumento significativo em números absolutos e de algum avanço para posições intermediárias, continuam super-representadas nas ocupações mais precárias e relacionadas ao cuidado e aos serviços domésticos. A lista das cinco categorias de maior densidade relativa mudou pouco em 40 anos, sempre girando em torno do trabalho reprodutivo, de baixo prestígio social e de baixa remuneração.
5. Conclusões: Interpretando as Mudanças e a Persistência das Desigualdades
Os autores concluem que as transformações na estrutura social foram reais, porém insuficientes para desmontar o padrão histórico de desigualdades. Dois fenômenos ajudam a compreender as mudanças observadas:
- Mudanças na Autodeclaração Racial: Parte expressiva do crescimento da população negra no mercado de trabalho pode ser atribuída a uma maior conscientização racial, fazendo com que pessoas que antes se declaravam brancas passassem a se declarar pardas. Além disso, parte da ampliação de pessoas negras nas posições mais elevadas deve ser explicada por maior abertura do mercado de trabalho e, provavelmente, associada às políticas de inclusão e de expansão do ensino superior no país, com destaque especial para a Lei de Cotas Raciais.
- Expansão Educacional e Políticas de Ação Afirmativa: A ampliação do ensino superior e as políticas de cotas foram fundamentais para permitir que mulheres brancas e pessoas negras acessassem ocupações que exigem diploma superior, explicando parte da mobilidade observada nas classes médias e alta.
Contudo, a persistência das desigualdades evidencia que os mecanismos estruturais de discriminação, racismo e sexismo continuam a operar de forma potente. Além disso, a abertura do mercado de trabalho frequentemente seguiu lógicas segregadas, colocando mulheres em ocupações tipicamente femininas e negros em ocupações precárias ou de baixo status.
O estudo ressalta que as metrópoles, por serem espaços de maior diversidade e dinamismo econômico, deveriam ser ambientes mais propícios à redução de desigualdades. O fato de as hierarquias se manterem tão fortes mesmo nestes territórios é um sinal alarmante da profundidade do problema no país como um todo.
Considerações Finais: A Interseccionalidade como abordagem teórica e ferramenta analítica necessárias
A grande contribuição do artigo “Interseccionalidade da Estrutura Social das Metrópoles Brasileiras” é demonstrar, com dados estatísticos e uma análise temporal, que para compreender a sociedade brasileira é fundamental analisar de forma integrada as dimensões de classe, raça e gênero.
O estudo vai além do senso comum que aponta para uma melhora geral dos indicadores. Ele mostra que os avanços foram desiguais: privilegiaram mulheres brancas e, de forma mais limitada, homens negros, mas falharam em romper o ciclo de desvantagem das mulheres negras, que permanecem no centro das intersecções mais duras das opressões e desvantagens sociais.
As conclusões do estudo representam um enorme desafio para a sociedade e para as políticas públicas. Elas indicam que a mera expansão econômica e educacional, embora necessária, não é suficiente. São necessárias políticas públicas específicas e transversais que combatam o racismo e o sexismo no mercado de trabalho, que incentivem a diversidade nos postos de liderança e que valorizem economicamente as ocupações majoritariamente exercidas por mulheres negras.
Ao final de quatro décadas de transformações, a estrutura social das metrópoles brasileiras mostra-se mais complexa e diversa, mas ainda profundamente marcada por hierarquias que têm raízes no período colonial e escravocrata. Romper com essa inércia histórica exige, antes de tudo, enxergá-la com a clareza que estudos como este proporcionam. A interseccionalidade se mostrou como uma abordagem teórica e uma ferramenta analítica essencial para compreender e desvendar a complexidade da realidade social.




