Tese de discente do PPGPUR Gustavo Vitti é contemplada no Prêmio Capes de Teses 2026

Publicado em 29/09/2026

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A tese de doutorado intitulada “A política da lama: estratégias empresariais de gestão da crítica em contexto de desastres de mineração em Minas Gerais”, do pesquisador Gustavo Schiavinatto Vitti, aluno do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PPGPUR), foi a vencedora da área de Planejamento Urbano e Regional/Demografia no Prêmio CAPES de Tese Edição 2026, na área PURD (Planejamento Urbano e Regional e Demografia).

O prêmio CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), criado em 2005, adota critérios como a originalidade do trabalho, a relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, ambiental e o grau de inovação da tese, além do valor agregado pelo sistema educacional ao candidato. A edição 2026 reconhece as melhores teses de doutorado defendidas no Brasil em 2025.

O trabalho de Gustavo observa as práticas adotadas por empresas na atuação pós-desastres de mineração em Mariana e Brumadinho, como a mobilização de acordos, estruturas de governança, argumentos jurídicos e científicos, além de práticas de cooptação, fragmentação comunitária, vigilância e controle territorial na gestão de conflitos e a influência no debate público sobre os desastres.

“Fico muito satisfeita com a premiação! Merecida! A tese apresenta uma contribuição relevante e atual ao analisar os desastres da mineração não apenas como eventos socioambientais, mas como processos políticos atravessados por disputas em torno da crítica, da responsabilização e da produção de legitimidade empresarial. Seu mérito está em evidenciar como as empresas mobilizam diferentes estratégias para administrar conflitos, controlar narrativas e responder às contestações produzidas por comunidades, movimentos sociais e outros sujeitos atingidos. Ao deslocar o olhar do desastre em si para as relações de poder que se constituem antes, durante e depois dele, a pesquisa ampliou a compreensão sobre a governança dos territórios minerados e sobre os mecanismos contemporâneos de gestão do conflito. Trata-se, portanto, de um trabalho de forte relevância acadêmica e política, especialmente por revelar que a disputa em torno da lama é também uma disputa pela interpretação dos fatos, pela legitimidade das responsabilidades e pelos sentidos atribuídos ao próprio território.”

Carla Hirt – Docente PPGPUR/IPPUR

Fruto de um acordo de cotutela, a pesquisa teve a orientação do professor Henri Acselrad, do IPPUR, e co-orientação do professor Pierre Gautreau, da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne.

Três outras teses de discentes do PPGPUR já haviam sido contempladas pela premiação. Em 2013, Erica Tavares da Silva recebeu Menção Honrosa pelo trabalho “Estrutura Urbana e Mobilidade Espacial nas Metrópoles”, orientado por Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro. No ano 2016 o prêmio de Tese Vencedora foi concedido a Diana Helene Ramos pela tese “Preta, Pobre E Puta: A Segregação Urbana Da Prostituição Em Campinas – Jardim Itatinga”, orientada por Soraya Silveira Simões e Ana Clara Torres Ribeiro (In Memoriam). Na edição 2019, a tese de Suyá Quintslr, “Da Crise Hídrica à Ecologia Política da Água: Megaprojetos de abastecimento e injustiça ambiental no Rio de Janeiro”, sob orientação de Henri Acselrad e co-orientação de Gilles Massardier, também recebeu Menção Honrosa.

“O prêmio foi merecido, pois a tese defendida por Gustavo Vitti, e orientada pelo Prof. Henri Acselrad, desvela a trama de poderes que envolve a atividade minerária, sobretudo a partir da neutralização de toda e qualquer crítica formulada pelas populações diretamente afetadas. Esta brutalidade disfarçada em disputas judiciais que mascaram o poder e os interesses econômicos – e que extrapolam qualquer tentativa regulatória e accountability – tem sido a tônica de todos os conflitos envolvendo a destruição dos territórios de vida. Trata-se de um dos mais graves problemas públicos existentes e eu espero que a tese, merecidamente premiada, seja amplamente difundida e possa formar o olhar de todos que, de algum modo, se aproximam do tema”

Soraya Silveira Simões – Docente PPGPUR/IPPUR

O prêmio CAPES de Tese concede aos autores das teses vencedoras certificado e medalha, além de bolsa de pós-doutorado em instituição nacional por até 12 meses. Também são contemplados os orientadores, que recebem prêmio no valor de três mil reais. Prêmios adicionais também são concedidos por instituições parceiras, como a Fundação Carlos Chagas, o Instituto Serrapilheira e a Dimensions Sciences.

 

Clique aqui e leia na íntegra a tese premiada de Gustavo Vitti

Acesse aqui a relação completa das teses premiadas.

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