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A digitalização bancária e o esvaziamento do território? O caso do Rio de Janeiro (2018–2024)
Publicado em 15/05/2026
CATEGORIAS: Boletim IPPUR, Destaques
Boletim nº 95, 15 de maio de 2026
Sergio Martín Páez
Pesquisador de Pós-doutorado do Instituto de Economia da UFRJ, docente do IPPUR, membro do DePoliCi/Observatório das Metrópoles e do Observatório do Sistema Financeiro
Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Introdução
A digitalização do sistema bancário brasileiro tem sido frequentemente apresentada como sinônimo de modernização, eficiência por redução de custos operacionais, aumento da concorrência e inclusão financeira (Vives, 2019; Phillipon, 2019). No entanto, a digitalização financeira emerge como resposta à pressão sobre margens de lucro derivada da crise de 2008/2009 no Norte Global e à necessidade de novos espaços de acumulação, o que tem se denominado como “digital fix” (Grigera et Al, 2026). Em paralelo, essa transformação carrega uma dimensão menos visível: seus impactos sobre o território e a organização das cidades, em particular nos países periféricos que importam e não controlam as tecnologias nem a infraestrutura crucial para a digitalização.
No Brasil, os resultados sugerem que mais de cinco mil agências bancárias foram fechadas entre 2018 e 2024, o equivalente a cerca de 23% da rede física nacional (Páez, 2026). Essa retração marca um intenso processo na comparação internacional. Por exemplo, o processo similar nos Estados Unidos de América (EUA) implicou o fechamento do 12% da rede bancária entre 2009 (pico da série) e 2020 (Keil & Ongena, 2024). A reestruturação recente da rede bancária pode ser interpretada à luz da produção capitalista do espaço (Harvey, 2005). As agências bancárias, enquanto formas de capital fixo, foram historicamente fundamentais para a expansão territorial do sistema financeiro. No entanto, diante da digitalização, tornam-se progressivamente obsoletas, sendo substituídas por infraestruturas digitais mais flexíveis.
Como esses processos se manifestam empiricamente no contexto brasileiro? Se a digitalização constitui um mechanism de “ajuste espacial”, espera-se observar não apenas uma redução quantitativa da infraestrutura bancária, mas uma reconfiguração seletiva de sua distribuição territorial. Souza (2023) quantificou o fechamento de agências para a Região Metropolitana de São Paulo entre 2000 e 2020, quando o processo se iniciava com os grandes bancos privados. A pandemia COVID-19 deu um impulso fundamental na adoção de tecnologias da informação, o que acelerou o processo. O caso do Estado do Rio de Janeiro — que apresentou a maior retração proporcional de agências do país — permite observar de forma particularmente clara essa transformação e será o foco deste artigo.
À luz dessa reestruturação bancária, nossa hipótese central é que a digitalização deve ser compreendida em interação com a ordem urbana desigual da metrópole do Rio de Janeiro, marcada por processos de causação circular que reproduzem a segregação e a cidadania escassa (Queiroz Ribeiro e Ribeiro, 2022). A contribuição deste artigo é caracterizar esse processo de fechamento de agências entre 2018 e 2024 para tentar identificar cenários futuros e seus impactos nos municípios e bairros do Rio de Janeiro em termos de potencial esvaziamento de locações bancárias.
O fechamento de agências no Rio de Janeiro como caso particular de uma reestruturação nacional (2018-2024)
O avanço da digitalização no sistema bancário brasileiro não se restringe à ampliação dos serviços remotos. Ele também redefine a materialidade da intermediação financeira e a presença das instituições no território. Durante grande parte do século XX e início do século XXI, a expansão da rede de agências foi o principal instrumento de bancarização. Esse movimento atingiu seu auge por volta de 2014, quando a densidade de agências por 100 mil adultos alcançou o pico histórico no Brasil. Em linha com o processo de substituição do capital fixo por infraestruturas digitais, as transações bancárias pelo canal digital (52% – mobile and internet banking) superaram as tradicionais (48%) a partir de 2015 e continuaram crescendo (Borges et Al, 2022).
Como consequência desse processo, inicia-se uma trajetória de declínio contínuo da quantidade de agências bancárias, interrompendo um ciclo de mais de quatro décadas de expansão. Este movimento é uma tendência global documentada em estudos sobre a “morte do varejo bancário”, onde a queda no uso de dinheiro físico e o crescimento da distribuição digital levam a uma necessidade reduzida de infraestrutura física (Keil & Ongena, 2024). A expansão da rede bancária foi parte da urbanização do capital financeiro; sua retração indica uma mudança na forma de inserção desse capital no território.
No Brasil, essa dinâmica foi particularmente intensa entre 2018 e 2024, com instituições financeiras investindo fortemente na digitalização de seus serviços para manter a competitividade e atender às novas expectativas dos consumidores (Páez, 2024). Manter uma rede extensa de agências físicas envolve despesas significativas com aluguel, pessoal, segurança e manutenção, o que explica 20% dos custos operacionais no Brasil (Oglietti & Páez, 2022:124).
Diante da redução na movimentação de clientes nas unidades físicas, os bancos são compelidos a reavaliar sua rede, concentrando recursos em regiões de maior rentabilidade e fechando aquelas com baixa produtividade ou alta inadimplência. Em linha com essa lógica de racionalização espacial, entre 2018 e 2024 foram fechadas mais de cinco mil agências bancárias, o equivalente a aproximadamente 23% de toda a rede física nacional (Tabela I).
Como esperado a partir da lógica de valorização diferencial do espaço, o processo no Brasil seguiu uma lógica seletiva, concentrando-se em regiões e cidades com menor retorno esperado sobre a infraestrutura física (Páez, 2026). Nesse contexto, o caso do Rio de Janeiro permite observar de forma particularmente nítida esses mecanismos em operação. Com uma redução de 32%, o Rio de Janeiro apresentou a maior retração proporcional do país, superando inclusive São Paulo (–28%) e Minas Gerais (–23%). Esses resultados indicam que a digitalização não poupou os principais mercados bancários, mas, ao contrário, foi justamente neles que a racionalização espacial ocorreu de forma mais intensa. Neste sentido, a literatura sugere que nas áreas urbanas não existe um impacto sobre o crédito, enquanto as áreas rurais sofrem uma redução de acesso aos serviços bancários pelo fenômeno do “de-branching” (Schuster, 2023).
Tabela I. Brasil. Quantidade de agências operativas em 2024, diferença em relação a 2018 e % de redução por Estado.
| Estado | Agências 2024 | Diferença para 2018 | % Redução |
|---|---|---|---|
| SP | 4814 | -1913 | -28% |
| MG | 1571 | -465 | -23% |
| RJ | 1384 | -649 | -32% |
| RS | 1441 | -267 | -16% |
| PR | 1061 | -378 | -26% |
| BA | 812 | -245 | -23% |
| SC | 695 | -146 | -17% |
| GO | 547 | -173 | -24% |
| PE | 474 | -121 | -20% |
| PA | 506 | -6 | -1% |
| CE | 419 | -68 | -14% |
| ES | 330 | -121 | -27% |
| DF | 329 | -115 | -26% |
| MA | 290 | -40 | -12% |
| MT | 265 | -56 | -17% |
| MS | 223 | -52 | -19% |
| PB | 207 | -32 | -13% |
| AM | 189 | -25 | -12% |
| RN | 173 | -37 | -18% |
| SE | 174 | -28 | -14% |
| AL | 148 | -48 | -24% |
| PI | 157 | -10 | -6% |
| RO | 115 | -29 | -20% |
| TO | 109 | -5 | -4% |
| AC | 50 | -7 | -12% |
| AP | 41 | -7 | -15% |
| RR | 26 | -8 | -24% |
| Total Brasil | 16550 | -5051 | -23% |
Fonte: Elaboração própria com base em Banco Central do Brasil
Em termos absolutos, o número de agências fluminenses caiu de 2.033 para 1.384 unidades, resultando no fechamento de 649 agências em apenas seis anos. A magnitude desse ajuste é expressiva. O número de agências encerradas no Rio de Janeiro equivale, por exemplo, à totalidade da infraestrutura bancária atualmente existente em estados como Santa Catarina, além de superar o número total de agências em operação em 20 das 27 unidades federativas brasileiras. Esse dado evidencia não apenas a intensidade da reestruturação, mas também o elevado grau de concentração histórica.
No território fluminense, a metade das agências remanescentes (775) localiza-se no Município do Rio de Janeiro, que concentra também 67% de todos os fechamentos. A estrutura atual está fortemente oligopolizada: seis bancos — Santander, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Safra — detêm 87% das agências em operação. Entre 2018 e 2024, o Bradesco e o Itaú lideraram a retração, com o encerramento de 288 (–65%) e 216 (–41%) unidades, respectivamente, seguidos pelo Santander (–13%) e pelos bancos públicos Banco do Brasil (–13%) e Caixa Econômica (–6%). O Citibank apresentou a taxa mais drástica (–90%), refletindo sua saída quase completa do varejo.
Estado do Rio de Janeiro. Fechamento de agências bancárias por firma (2018-2024)
| Banco | Diferença de número de agências entre 2018 e 2024 | % Fechamento de Agências |
|---|---|---|
| ITAÚ UNIBANCO S.A. | -216 | -41% |
| BANCO BRADESCO S.A. | -288 | -65% |
| BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. | -42 | -13% |
| BANCO DO BRASIL S.A. | -36 | -13% |
| CAIXA ECONOMICA FEDERAL | -16 | -6% |
| BANCO CITIBANK S.A. | -19 | -90% |
| BANCO SAFRA S.A. | 0 | 0% |
| Resto (110 firmas) | -32 | -23% |
| Total | -649 | -32% |
Fonte: Elaboração própria em base a Banco Central do Brasil (BCB)
Do ponto de vista espacial, o fenômeno mostra-se amplamente concentrado na Região Metropolitana. Além da capital, municípios como Niterói, Duque de Caxias, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Campos dos Goytacazes e Petrópolis apresentaram reduções superiores a 30%. No restante dos 85 municípios fluminenses, a taxa média de fechamento situou-se em torno de 22%.
Fechamento de agências bancárias por município (2018-2024)
| Município | Diferença | % Fechamento de Agências | Concentração do processo |
|---|---|---|---|
| RIO DE JANEIRO | -438 | -36% | 67% |
| NITERÓI | -29 | -31% | 4% |
| DUQUE DE CAXIAS | -16 | -31% | 2% |
| SAO GONCALO | -17 | -37% | 3% |
| NOVA IGUACU | -13 | -30% | 2% |
| CAMPOS DOS GOYTACAZES | -13 | -34% | 2% |
| PETRÓPOLIS | -10 | -28% | 2% |
| Resto (85 municípios) | -113 | -22% | 17% |
| Total | -649 | -32% | 100% |
Fonte: Elaboração própria em base a Banco Central do Brasil (BCB)
Os dados de FIPEZAP (2021 e 2025) mostram que o preço médio de locação comercial no Rio de Janeiro passou de 37,11 R$/m2, no início de 2021, para 45,45 R$/m2 no início de 2025, ou seja, um incremento de 22% num cenário no qual a inflação do IPCA registrou 28%. Logo, o custo do aluguel na cidade diminuiu em termos reais por volta de 4%. Isso sugere que o fechamento de agências não está associado a pressões imobiliárias, mas sim a uma lógica de reorganização interna do setor bancário, reforçando a hipótese de que a digitalização atua como principal vetor da reconfiguração territorial.
Impactos urbanos futuros: esvaziamento e transformação da paisagem?
As agências bancárias sempre desempenharam um papel relevante na dinâmica urbana: atração de fluxos de pessoas; sustentação de atividades comerciais; ocupação de imóveis estratégicos. Em consequência, seu fechamento produz efeitos multiplicadores associados ao aumento da vacância imobiliária, redução da circulação econômica local e reconfiguração do uso do solo.
Se a tendência observada até aqui reflete uma reconfiguração estrutural, torna-se relevante explorar seus possíveis desdobramentos futuros. Projeções baseadas na velocidade observada nos últimos anos sugerem que, em um cenário de digitalização parcial (50% das agências atuais), cerca de metade das agências remanescentes pode desaparecer até 2030. Nesse caso, a lógica predominante seria a racionalização sem ruptura completa da capilaridade do sistema.
Em um cenário mais intenso de avanço pleno da digitalização, essa redução pode alcançar até 80% da rede atual até 2034. Esses números indicam que não se trata de um ajuste pontual, mas de uma transformação estrutural na forma de organização territorial do sistema bancário.
Estado do Rio de Janeiro. Cenários projetados de avanço da digitalização por município
| Município | Velocidade de Cierre (Agências por ano) | Digitalização Parcial (só 50% das abertas em 2024) | Digitalização Plena (80 % das abertas em 2024) |
|---|---|---|---|
| RIO DE JANEIRO | 73,0 | 2029 | 2032 |
| NITERÓI | 4,8 | 2031 | 2035 |
| DUQUE DE CAXIAS | 2,7 | 2031 | 2035 |
| SAO GONCALO | 2,8 | 2029 | 2032 |
| NOVA IGUACU | 2,2 | 2031 | 2035 |
| CAMPOS DOS GOYTACAZES | 2,2 | 2030 | 2034 |
| PETRÓPOLIS | 1,7 | 2032 | 2036 |
| VOLTA REDONDA | 1,0 | 2037 | 2044 |
| MACAÉ | 0,7 | 2040 | 2049 |
| NOVA FRIBURGO | 1,5 | 2029 | 2032 |
| SÃO JOÃO DE MERITI | 0,8 | 2031 | 2036 |
| RESENDE | 1,0 | 2030 | 2034 |
| CABO FRIO | 0,8 | 2031 | 2036 |
| TERESÓPOLIS | 0,8 | 2031 | 2035 |
| Total Estado do Rio de Janeiro | 108,2 | 2030 | 2034 |
Fonte: Elaboração própria em base a Banco Central do Brasil
No Estado do Rio de Janeiro, bairros como Centro do RJ, Catete, Leblon, Centro de Niterói e Botafogo concentram grande parte da infraestrutura bancária remanescente por espaço geográfico. Neste sentido, encontramos 1 agência bancária a cada 3 has ou quadras no Centro do Rio de Janeiro. Esse indicador expressa o mesmo que cada agência serve os moradores e firmas de 3 quadras. Esse mesmo indicador para Catete, Leblon, Centro de Niterói e Botafogo ronda entre 7 e 8 quadras. Esse é um primeiro indicador do impacto potencial no futuro, ainda que não seja possível diferenciar qual é o tamanho de cada uma das agências em termos de m2 ou de funcionários que as operam, o que poderia ter impactos multiplicadores na dinâmica de transporte e da economia local, como o fechamento de restaurantes e pequeno comércio. Esse padrão sugere que o fechamento de agências não ocorre apenas como resultado da digitalização, mas também em interação com a estrutura urbana desigual, reforçando processos de concentração e exclusão territorial.
Estado do Rio de Janeiro. Principais bairros de acordo com impacto territorial potencial do fechamento de agências (has/agência)
| BAIRRO | Município | Impacto Territorial (Has/Agencia) |
|---|---|---|
| CENTRO | RIO DE JANEIRO | 3 |
| CATETE | RIO DE JANEIRO | 7 |
| LEBLON | RIO DE JANEIRO | 8 |
| CENTRO | NITERÓI | 8 |
| BOTAFOGO | RIO DE JANEIRO | 9 |
| COPACABANA | RIO DE JANEIRO | 11 |
| CENTRO | NOVA IGUACU | 14 |
| IPANEMA | RIO DE JANEIRO | 15 |
| BONSUCESSO | RIO DE JANEIRO | 16 |
| MEIER | RIO DE JANEIRO | 16 |
| SAÚDE | RIO DE JANEIRO | 18 |
| TIJUCA | RIO DE JANEIRO | 23 |
| VILA DA PENHA | RIO DE JANEIRO | 24 |
| FLAMENGO | RIO DE JANEIRO | 27 |
| MADUREIRA | RIO DE JANEIRO | 32 |
Fonte: Elaboração própria em base a Banco Central do Brasil (BCB) e IBGE
A diferenciação entre cenários evidencia que o processo de digitalização não implica apenas uma redução quantitativa da infraestrutura bancária, mas também uma redefinição qualitativa de sua distribuição territorial. Em última instância, trata-se de uma reorganização espacial orientada por critérios de eficiência econômica que pode reforçar desigualdades preexistentes e colocar novos desafios para o planejamento urbano e a inclusão financeira no território.
Perspectivas e desafios para o planejamento urbano
A partir dos resultados apresentados, é possível refletir sobre as implicações desse processo para o planejamento urbano. A velocidade do processo de digitalização bancária e a consolidação dos serviços financeiros digitais indicam que a tendência de redução da infraestrutura física deve se aprofundar nos próximos anos. Ainda que a presença de agências não desapareça completamente, é plausível projetar um sistema bancário cada vez mais apoiado em plataformas digitais.
Esse cenário coloca desafios relevantes para a organização das cidades e para a formulação de políticas públicas. O fechamento de milhares de agências pode intensificar a degradação urbana, o esvaziamento de bairros e a perda de dinamismo econômico local. Se esse processo acaba sendo administrado pelo empreendedorismo urbano como um modo de atuação do poder público voltado para a construção de um ambiente econômico e institucional de favorecimento dos negócios privados em detrimento da função de provisão de bens e serviços públicos para a sociedade (Harvey, 2005), resulta fundamental se antecipar aos potenciais riscos e efeitos do agravamento da segregação residencial e das desigualdades sociais e urbanas existentes na metrópole.
Os programas Porto Maravilha e Reviver Centro representam este tipo de iniciativas de regeneração urbana implementadas no Rio de Janeiro. As políticas, fortemente influenciadas por lógicas neoliberais, articulam as estratégias do Estado às do capital financeiro-imobiliário, erguendo entraves territoriais para diversos usos sociais do espaço (Ferreira et Al, 2024; Rodrigues, 2026). Ambos os programas evidenciam a contradição fundamental entre um modelo de regeneração urbana orientado para a valorização econômica e a atração de investimentos globais, e a necessidade de justiça socioespacial (Serodio, 2022; Serodio e Bretas, 2024). Juntos ilustram como as políticas urbanas contemporâneas no Rio de Janeiro têm priorizado a imagem da cidade para o mercado global em detrimento da inclusão e da equidade para seus cidadãos.
Neste sentido, a reestruturação bancária abre uma janela de oportunidade para políticas urbanas e habitacionais sobre uma lógica diferente do empreendedorismo urbano. A reconversão de imóveis bancários desativados para usos residenciais, serviços públicos ou activities econômicas de interesse social pode contribuir para enfrentar o déficit habitacional, revitalizar áreas urbanas e reduzir desigualdades territoriais. Nesse sentido, o fechamento de agências não deve ser visto apenas como um problema, mas como um ponto de partida para estratégias integradas de planejamento urbano para um desenvolvimento mais inclusivo, que contraponha a lógica de valorização seletiva do território inerente à dinâmica do capital financeiro.
Nota
O autor agradece os comentários de Erick Omena e dos pesquisadores de DePoliCi/Observatório das Metrópoles (IPPUR/UFRJ) a uma versão preliminar deste texto. Os erros e/ou omissões são responsabilidade do autor.
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